27 03 2017

Sobre ser mulher {Coletivando}

Pernas
Não é novidade alguma dizer que ser mulher tem suas dores e encantos. Hoje, deixo as dores pra depois. O tempo todo falamos sobre as dores. Da conversa no Whatsapp com as amigas contando da cólica ou do medo de, sozinha, ter encontrado um cara numa rua escura, aos muitos maravilhosos -e, muitas vezes, dolorosos – textos feministas que aparecem todo dia na nossa timeline.  Tudo fala da dor. As mais diversas mídias esfregam na nossa cara todos os dias os muitos esteriótipos- de beleza, padrão corporal, comportamento, maternidade romantizada e tantos outros- e continuamos gritando: Eu não me resumo a isso!

Acho importante dizer: Falar da dor não é um problema. Jamais. É falando da dor que a gente a entende, é falando da dor que a gente muda, é falando da dor que a gente percebe que não está sozinha – que tem MUITA gente do nosso lado. Mas, hoje, não quero falar da dor.

Hoje, quero falar de ciclos. Quero falar de sororidade. Quero falar de empatia. Quero falar de união. Quero falar de força. São tantas belezas, tantas alegrias, tantos encantos pra falar que tive que me conter pra não fazer deste texto algo gigante.

A lua tem seus ciclos. A princípio, é Nova, escura, muitas vezes invisível. Depois, se torna Crescente, sorrindo; Dê um pouco mais de tempo para vê-la cheia.  Em seguida, ela míngua e sorri para o outro lado. A natureza tem tantos outros ciclos que não posso citar todos: Primavera, verão, outono e inverno, vida e morte. Ser mulher é ter seus ciclos, como a natureza, como a lua. Nós temos nossas luas, nossa período fértil, nosso sangue. Morremos e renascemos todo mês.

Além dos ciclos, em semelhança com a natureza, temos a possibilidade de gerar. Possibilidade, perceba bem minhas palavras – mulher nenhuma tem essa obrigação- Não querer ou poder não te torna menos mulher. Acho que eu vou passar minha vida inteira me encantando com a ideia de que uma vida pode se formar no corpo de uma mulher. Me encanto ainda mais com essa nossa condição quando penso em todas as adaptações que nosso corpo faz a fim de gerar e cuidar das nossas crias. Eu poderia falar uma eternidade disso sem nem perceber, eu acho. Mas não vou encher vocês.

Outra coisa maravilhosa é quando nós mulheres resolvemos nos unir. Seja um papo de amigas, seja uma roda de conversa, seja numa manifestação pelos nossos direitos. Quando a gente dá as mãos e se abre para ouvir e participar da história de outras mulheres, uma força maior se cria. A união das nossas forças parece não se somar, mas multiplicar. Quando mulheres se apoiam elas crescem.
E não vou dizer que é fácil: a gente vive num mundo em que inventaram que somos inimigas. Quando conseguimos olhar além disso, derrubar essa ideia absurda… Aah, que coisa maravilhosa nasce. Juntas percebemos que não somos pequenas, que não tem nada de errado conosco, que somos únicas e cheias de particularidades – como qualquer indivíduo-, mas não estamos sozinhas.
No simples ato de conversar, mulheres se descobrem. Percebem suas semelhanças e diferenças, começam a enxergar a si mesmas como seres muito mais complexos e muito além de todos os esteriótipos. Encontram amigas, irmãs de luta, irmã de dores e de alegrias. Percebem sua força, descobrem sua voz.  Ainda acredito que, no dia que as mulheres se unirem de verdade, não há nada que as segure.

Aah, há tanto pra falar. É tanta força, tanta beleza, tanta delicadeza, tanta magia. É tão sagrada. Para não ficar cansativa- e, quem sabe, para ainda ter assunto para tantos outros posts- me despeço aqui desse post sobre as coisas que mais me orgulho e mais amo sobre ser mulher.

Este post faz parte do Projeto Coletivando. Quer ver mais posts com o tema “Sobre ser mulher?” Visite o blog das outras participantes:

3 Comentários

3 Comentários em "Sobre ser mulher {Coletivando}"

  1. Lina disse:

    Você citou vários pontos em que eu amo em ser mulher. Amo poder me reunir com amigas, amo me sentir segura em meio a outras mulheres, amo a maravilha que é gerar um filho. E uma das coisas que mais me abala é a tal da rivalidade feminina, e como a midia lucra loucamente nos empurrando umas contra as outras e nos fazendo nos odiar sem motivo algum sendo que ela própria incentiva os homens se reunirem numa roda de amigos semanalmente e até brigar e largar a esposa/namorada caso ela não concorde com isso. Anseio pelo dia que nós todas nos uniremos e deixaremos esse papo de “inimiga” no passado. Temos um futuro brilhante pela frente.
    http://www.rumorandhorror.blogspot.com.br

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  2. Deise Lima disse:

    Que coisa mais linda esse texto!!!
    Somos agraciadas no nosso gênero no nosso ser mulher!
    Nossos ciclos e a natureza é uma conexão linda e você colocou lindamente ♥
    Um abraço!

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  3. Aline Callai disse:

    Que texto incrível, Laurinha!
    Concordo muito contigo sempre nos foi dito que as mulheres são inimigas, e confesso que eu acreditava nisso até pouco tempo atrás – a minha grande maioria de amigos é homem – mas hoje eu vejo que as coisas não são bem assim e já tenho algumas amigas que considero muito. É tão bom ver as coisas mudando ao longo dos anos e que cada vez mais ganhamos espaço 🙂
    Beijos
    http://www.nomundodaluablog.com/

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