12 04 2018

Sobre ser fotografada – do outro lado da câmera

Sobre ser fotografada - por Joy Freitas

Talvez você queira ver uma versão resumida desse post lá no meu twitter – é por lá que muitas das minhas ideias de posts surgem e acabo usando como uma forma de ficar mais pertinho de todo mundo que acompanho e que me acompanha.

Por coincidência, fui fotografada duas vezes nos 3 meses que já se foram esse ano. Tinha tempos que eu não ficava na frente das câmeras de um outro fotógrafo sendo dirigida pra um ensaio, e fazer isso duas vezes em um intervalo tão pequeno de tempo me trouxe um tanto de reflexões sobre isso.

Como fotógrafa eu conheço muitos fotógrafos. A grande maioria deles preferem ficar atrás das câmeras e fogem de qualquer um que tentar apontar uma câmera pra eles… Nunca me identifiquei muito com isso: eu adoro trocar de papéis, ser dirigida, deixar que me registrem também. Eu adoro perceber como as pessoas trabalham de formas diferentes. Adoro ter a oportunidade de perceber como meus clientes se sentem enquanto aponto minha câmera pra eles.

É uma oportunidade incrível de realmente sentir o que funciona ou não, o que é mais legal, como podemos melhorar: a gente vive na pele a história de se colocar no lugar do outro e pensar em como se sente com isso. Não estou dizendo que sou a chata analisando quem tá lá dando seu melhor pra me fotografar: no fim do dia é sempre muito claro o que tornou aquele momento tão incrível, o que me deixou mais confortável, o que posso absorver. É uma oportunidade incrível.

Sobre ser fotografada - por Luanna Lima

Uma segunda coisa que acho incrível:  Minha última vez na frente das câmeras tinha sido pela Luanna em 2015: eu era uma pessoa completamente diferente. Tinha mil inseguranças a mais e estava dando meus primeiros passinhos na fotografia de gente – já sabia muito de ISO, velocidade, obturador… mas nada sobre direção de pessoas, posicionamento e tudo isso que é uma das minhas coisas favoritas atualmente. Eu tinha acabado de conhecer a Luanna, que também é super tímida e também estava começando a fotografar pessoas.

Aí veio o ensaio com a Reis: faz 3 anos que eu fotografo pessoas, 8 meses no curso de fotografia tendo dicas, aulas práticas e tudo o mais. Eu conheço a Reis há 3 anos e somos amigas, estávamos uma fotografando à outra em um lugar totalmente novo pra mim. Claro, a intimidade ajuda MUITO – o que deixou mais claro pra mim o quão importante é criar uma conexão com os clientes e modelos- mas a experiência foi totalmente diferente porque eu já tinha uma noção muito grande sobre como me posicionar, o que fica legal, o que não fica… Em coisas simples como não travar o maxilar eu conseguia contribuir pra fotos mais legais.

Sobre ser fotografada - Por Letícia Reis

Por fim, mas de forma alguma menos importante, algo que o contraste entre ser fotografada duas vezes em tão pouco tempo me fez perceber muito claramente: Sebastião Salgado não tava brincando quando ele falou que “você não fotografa com sua máquina, você fotografa com toda sua cultura”. Ver duas fotógrafas incríveis – e totalmente diferentes – fotografarem o mesmo objeto (e aquele que eu conheço melhor: eu mesma!) foi uma das partes mais incríveis disso tudo.

O ensaio com a Reis rolou no final de janeiro, no início de março a Joy me chamou e falou que estaria aqui em BH, perguntou se eu animava sair pra fotografar com ela… E assim nasceu o segundo ensaio desse ano. Fomos pro Mercado Central, andamos lá, Joy conheceu um pouco… almoçamos no palácio das artes, vimos uma exposição de fotografia e fomos pro Parque Municipal (o mesmo lugar do ensaio com a Luanna!) e foi lá que ela me fotografou.

Sobre ser fotografada

Não são nem 2 meses de diferença, não mudei nada em mim – acho que nem a sobrancelha eu fiz nesse tempo!!!- mas o “filtro” do olhar de cada uma mostra duas pessoas bastante diferentes. O estilo de fotografar, de tratar as fotos, a escolha de lugar, a direção... tudo isso colabora  muito pra que eu me veja tão diferente.

Quando olho pras fotos da Reis eu me vejo uma menina, descobrindo a vida, brincando com sensualidade, com seriedade, com a sensação de poder… fazendo caras e bocas e rindo de tudo isso. Tem muita cor, tem muita luz, tem até Fora Temer e uma sensação de tomar posse da cidade que é nossa. Eu me vejo, mas vejo também a menina super engajada socialmente, feminista, do movimento negro, apaixonada por cultura, por teatro. Eu vejo a minha fotografa nas fotos.

Sobre ser fotografada
Nas fotos da Joy, uma sensação totalmente diferente: não é como se me sentisse mais velha, mas me vejo mais mulher, adulta. Mais séria, mais serena…um ar maior de mistério. As cores são mais sóbrias, tem mais sombra… Eu tô no lugar mais confortável do mundo pra mim que é no meio do mato. Tem brincadeira, tem sensualidade, tem carão, tem gargalhada, tem tudo que me torna eu… mas visto por um olhar diferente, de uma mulher mais velha, de outro estado, com uma vivência totalmente diferente. Eu não a conheço tão bem, mas os 3 dias que passei convivendo com ela em Tiradentes foram suficientes pra identificá-la em cada uma das fotos também.

Sobre ser fotografada

Se eu pudesse dar uma dica pra todo mundo nessa vida é a de viver essa experiência de ser fotografada – o que pode parecer conveniente vindo de uma fotógrafa- mas principalmente pra quem fotografa outras pessoas. Vale muito a pena sair da zona de conforto, trocar de lado da câmera, se deixar ser visto e dirigido por outro alguém: É um momento que só pode trazer coisas boas!

Você já foi fotografada ou fotografado? Como foi? E o que achou do post? Me contem tudo!

Só um comentário porque muita gente perguntou nos comentários do último post: o pé tá melhor, já até viajei sem a botinha… Ainda tomando cuidado e não andando muito, mas já tô melhor, obrigada pelo carinho!

Dicas para fotografos: sobre ser fotografada

17 Comentários

17 Comentários em "Sobre ser fotografada – do outro lado da câmera"

  1. Emerson disse:

    Acho que com o tempo a gente vai pegando o jeito e perdendo a vergonha da câmera. Gostei muito de conhecer sua experiência.
    Bom final de semana!

    Jovem Jornalista
    Fanpage
    Instagram

    Até mais, Emerson Garcia

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    Laura Reply:

    Sim… o trabalho do fotógrafo é reduzir esse tempo pra fazer você se sentir mais confortável e se divertir, né? Pelo menos é o que tento com meus clientes.
    Obrigada!

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  2. Taís disse:

    Que interessante essa sua reflexão sobre ser fotografada, Laura.. O que uma ”simples” atitude de deixar alguém nos registrar, pode trazer pra gente várias reflexões sobre nós mesmos e a maneira como a gente vê as coisas. Eu sou suuuuuuuuper timida pra posar assim.. até pouco tempo atrás eu não dava muito as caras em fotos nas minhas viagens.. mas com o tempo fui mudando um pouco e curtindo mais a ideia de aparecer nas fotos. Das vezes que ”posei” foi pra minha amiga Lari.. e realmente quando se tem intimidade com a pessoa parece que rola mais fácil haha
    Achei todas as fotos lindas, tu é super fotogenica ♥

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    Laura Reply:

    Hahaha não é?
    Eu reparei (e adorei!) que você começou a aparecer mais nas fotos… acho incrível!
    Muuito obrigada Taís!
    Beijos!

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  3. Katarina disse:

    Adorei teu relato, Laura. Mostra o que nos diferencia como fotógrafas. E todas ficaram maravilhosas ♥

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    Laura Reply:

    Obrigada Katarina!
    Beijos!

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  4. Lindeza! =)

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    Laura Reply:

    <3

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  5. Stéfhanie disse:

    Que relato mais lindo! Eu nunca gostei de ser fotografada, mas hoje percebo como isso é importante, sabe? Aos poucos vamos perdendo a vergonha e mostrando nosso eu mais natural possível.

    Você ficou linda em todas elas. Mesmo! ♥

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    Laura Reply:

    Obrigada!
    Pois é, é muito gostoso perceber a evolução também nesse sentido né?
    Beijos!

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  6. Ana Palombo disse:

    Hey Laura! Encontrei você e esse pont lindinho nas ondas da internet e já assinei para acompanhar sempre, adorei o blog!
    Ser fotógrafa é uma coisa linda, né não? Poder trazer o melhor das pessoas com pequenos clicks é um diálogo mágico. Mas ser fotografada também é uma experiência inteiramente diferente! Aprendi a fazer auto retratos com o 365 project e foi quando aprendi mais do que qualquer curso! Hoje gosto de tirar um tempinho pra mim, pra me gostar e tirar fotos que brotam como ideias na rotina da vida.
    Ahhh! Até lancei um desafio no instagram sobre auto-retrato! Ah que legal seria se puder participar. Falei sobre ele lá no meu blog.
    Enfim, gostei de encontrar esse cantinho, retornarei mais vezes. <3
    Beijo beijo,
    A.

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    Laura Reply:

    Ah meu deus do céu que comentário mais cheio de amor!
    Sim, eu amo essa nossa profissão! Eu sou péssima nos auto-retratos, acredita? Tem anos que não fico inteiramente satisfeita com algum (e já fucei seu insta aqui agora, você arrasa demais! )
    Muito obrigada e seja sempre bem vinda! Obviamente seu blog já está aberto aqui numa nova aba pra eu conhecer e te deixar um oi!
    Beijos!

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  7. Clara Rocha disse:

    Eu amei profundamente esse post. Eu sempre me senti confortável tanto na frente quanto por trás das câmeras, gosto de pensar que gosto de brincar com meu papel de fotografa e modelo e que um complementa o outro. Quando estou fazendo fotos para as outras pessoas, gosto de prestar atenção aos mínimos detalhes de direções. Como aquela pessoa dirige, como que é o processo fotográfico dela, como me desenvolvo na frente das cameras !? E tento sempre aplicar isso quando vou fazer foto. Acho que ambos são treinamentos, sabe ?! Por isso que talvez eu sinta, que toda vez que eu faço um ensaio novo, aquele ensaio se torna meu ensaio favorito.
    Tipo : melhorei minhas falhas do último ensaio nesse e busquei inovar de tal forma e tentei fazer tal coisa, melhorei na direção.
    Direção de modelo, aliás é uma coisa difícil para algumas pessoas (eu sou extremamente tagarela então claramente, não é uma coisa difícil para mim, que tenho uma visão de como quero as coisas), mas para certas pessoas pode ser um desafio (vide o brayan que tira todas as fotos do meu blog, mas que não me dirige, já que eu faço isso sozinha).
    Mas é legal se ver pelo olhar de outra pessoa.
    Aprendi uma coisa no curso de fotografia que NUNCA mais vou esquecer :
    Podemos todos estarmos fotografando a mesma modelo. Nenhuma foto será igual. Cada pessoa tem um olhar e isso se reflete no resultado da foto.

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  8. É muito legal quando você vê essa troca de papéis, as fotos ficaram lindas. Você é muito fotogênica. Também gostei muito desse seu relato, pode até me ajudar a perder um pouco dessa vergonha que eu tenho.

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  9. Clara disse:

    Você já sabe: amo o seu jeito de escrever, amo o seu jeito de encarar o mundo.
    Eu acho que ser fotografada depende 80% do fotógrafo, exatamente pela conexão que ele cria com a modelo durante o ensaio. Todas as vezes em que me dei bem com a fotógrafa, as fotos saíram maravilhosas, e nas 2 vezes em que não me bati com o fotógrafo não gostei de nada. Eu não fiquei mais feia, eles que não souberam me enxergar com esse olhar de empatia que você fala. Amei as fotos, tenho uma fotógrafa favorita de longe, mas não vou falar pra não ficar chato, haha.

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  10. Rafa disse:

    Laurinha!! Que post liindo! Passei hj no seu blog pq de repente estava eu aqui escrevendo e pensando numas coisas da vida quando me lembrei que num passado (nem tão) distante eu tive um blog tb hahahaha de vz em qnd ainda dou uma passada por aqui e vejo suas postagens super fofas!! Parabéns por ter se tornado uma fotógrafa profissional!

    Beijoss e sucesso

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  11. Uma foto mais linda que a outra <3

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