18 06 2018

Sobre me permitir gostar do que eu gosto

Laura Nolasco por Letícia Reis  - gostar do que eu gosto

Foto por Letícia Reis 

Outro dia o nome de um blog me fez pensar na minha “história” – me sinto engraçada falando assim tendo só quase 20 anos de idade, mas vamos lá, todo mundo entendeu. “Maquiagem não é futilidade”, ele dizia. E aí lembrei de como as mulheres da minha infância sempre foram inteligentíssimas, estudiosas e do (graças à Deusa já superado por aqui) discurso de “É melhor uma biblioteca cheia de livros que um guarda-roupa lotado”. Maquiagem e roupas só eram assuntos quando eram alvos de críticas mil. Cresci repetindo sem pensar que “sou básica”, “maquiagem? não gosto!”.

Lá pelos meus 12 anos, quando as coleguinhas já tinham até alcançado um delineado perfeito  (ok, eu também questionaria isso/me assusta muito) me permiti comprar meu primeiro batom vermelho. Ver aquela cor no meu rosto me deu uma sensação de poder, de alegria, me senti tão linda quanto nunca imaginei que sentiria. Junto, veio um pouquinho de culpa: eu deveria me sentir assim por uma maquiagem?

De repente resolvi que gostava de saias. De repente meu guarda-roupa tava lotado de estampas. De repente me vi estudando um pouquinho aqui e ali sobre moda e amando usá-la como forma de expressão. No meio disso tudo surgiu um tanto de blog legal e de conteúdo interessante me dizendo que tá tudo bem gostar de maquiagem, que tá tudo bem gostar de moda E de livros, que eu não precisava ser aquele esteriótipo de filme americano da garota nerd que só veste a mesma coisa sempre e não ousa nem um pouquinho.

No meio disso tudo também, as grandes mulheres da minha vida também foram se abrindo pra tudo isso. De repente minha mãe usa saia. Minha tia não sai sem um batom colorido. Até minha madrinha aprendeu a se maquiar e  arrisca uma sombra brilhante de vez em quando. Minha mãe ainda olha torto quando experimento uma roupa diferentona ou quando passo mais de 20 minutos me maquiando; mas também se empolga de encontrar um creme novo com um cheirinho gostoso ou quando passamos na nossa loja favorita e ela experimenta um batom meio tom mais escuro.

Não é que todo mundo tenha que amar moda, viver de maquiagem e seguir à risca um cronograma capilar… – inclusive, NÃO! Ainda defendo que a gente tem que se amar como a gente é; mas que mal faz colorir um pouquinho mais o rosto quando der vontade?- É que eu fico muito aliviada de ver elas se abrindo pra experimentar coisas novas e de pensar que um dia isso será mais fácil pra minha filha- e que, é claro, apesar da minha empolgação com tudo isso ela pode nem ligar pra nada do tipo. Mas é que ela não vai precisar se sentir culpada quando ficar igualmente animada com um batom ou com um livro novo.

Eu fico feliz de saber que tá ok colocar um jeans velho, camiseta branca e all star batido pra ir pra faculdade com o cabelo preso num coque. Mas, que naqueles dias que o desanimo reina, a solução pode ser colocar meu vestido mais florido, o batom mais alegre, caprichar na finalização do cabelo e usar o “me sentir linda” como propulsor pra sair de casa e ir conquistar o mundo.

9 Comentários

9 Comentários em "Sobre me permitir gostar do que eu gosto"

  1. Claudia Hi disse:

    Acho que desde que não vire um vício, algo que a pessoa ache necessário, tá valendo.

    Às vezes a gente fica muito encucado com o “precisar” ser assim ou assado. Mas acho que são essas escolhas, essas curvas que nos tornam quem somos, que fazem a gente ser a gente e não outra pessoa.

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  2. Eva Camargo disse:

    Olá!
    Gostaria de começar dizendo que seu texto foi algo bem diferente, mas que amei ler. Sua visão foi muito boa, realmente libertadora. Usar maquiagem, moda, caprichar no cabelo não é uma prisão, não é seguir um estereotipo – a menos que você o coloque e se prenda nisso. Assim como “ser nerd” também pode te prender e se tornar um estereotipo.
    Tudo depende do peso que você coloca sobre isso.
    Eu realmente pensava que maquiagem e essas coisas não eram para mim, eu era diferente e vivia no meu próprio estereotipo. Que boba né?!
    Amei seu blog, de verdade. E foi um prazer ler esse texto.
    Super beijo.

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  3. Luna Moares disse:

    Amei!!!

    Excelente artigo!

    Sempre com artigos excelentes, com bastante informações e dicas extraordinárias.

    Parabéns!

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  4. Camila Faria disse:

    Exatamente! Tá tudo bem em gostar do que a gente gosta, ninguém precisa se encaixar em estereótipo nenhum para ser feliz. <3

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  5. Yasnaya disse:

    Cara! Acho ótimo ver que isso seja superado, porque pode parecer fútil e até nos inferiorizam chamando de mulherzinha, mas tudo em equilíbrio só faz bem, a gente tem que se sentir bem, e isso envolve a aparência, é a maneira que você se apresenta para o mundo, de como quer ser vista, enfim, assunto batido o meu rsrs mas eu super te entendo, comigo foi bem parecido. O negócio é fazer por você e pronto, sem se render ao consumismo, claro!

    xero
    https://leayasnaya.blogspot.com

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  6. Taís disse:

    Laura, gostei muito da sua reflexão sobre esse assunto e super concordo. Que sejamos livres pra gostar do que a gente gosta, né? Fico triste de ver quando essa obsessão por aparencia e roupas e maquiagens toma conta e a pessoa vive em função disso.. tantas meninas novas olhando isso como um padrão, que tem que se maquiar, que tem que usar essa ou aquela roupa. E é lindo de ver gente que faz as coias que gosta e o que der na telha sem aquela pressão toda. Eu tb tem dias que saio super basicona e me sinto bem assim e outroas dias me sinto mais inspirada pra demorar um pouco mais na maquiagem ou no visual. Tem dias e dias! 🙂

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  7. Taís disse:

    Só fazendo um outro comentário teste pq não sei se meu ultimo comentario entrou hahaha

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  8. Ana Barros disse:

    Acredito que tudo na vida é necessário equilíbrio, deveríamos fazer as coisas porque gostamos e nos sentimos bem e não por medo do que os outros vão pensar. Se eu pudesse dar um conselho para qualquer pessoa eu diria que os livros deveriam vir antes da aparência sempre. Mas a moda e o “se vestir” carregam muitos significados, inclusive quebrar padrões e acho isso muito interessante. Eu, inclusive, amo moda e sou formada nisso, a considero muito importante. O que não podemos é ficar presas, sempre mudando, se reinventando e experimentando coisas novas <3

    Do jeito que nos faça feliz 🙂

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  9. clara rocha disse:

    Quase 20 aninhos! As vezes me esqueço que você é bem mais nova que eu, porque nossas conversas se encaixam e quando te leio, parece que temos a mesma idade. Você pode gostar de tudo isso e de repente depois perceber que uma ou outra coisa não se encaixe também mais em sua rotina, ou que de repente você quer testar e experimentar outras coisas. Às vezes a gente se coloca em uma caixinha de ah eu gosto disso e pronto, quanto na verdade nada impede que a gente compre por exemplo um batom vermelho e perceba que na verdade ama pra caramba batom vermelho, que bom, amém! hahaha

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