10 11 2015

Não há tempo

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Estou perdida aqui em algum lugar em meio a todos esses quereres e deveres. Tô perdida em algum lugar no meio dos algoritmos e sistemas digitais que me engoliram. Os quadrados, triângulos, prismas, cones e o caralho a 4… tá tudo me prendendo num lugar muito longe de mim. Eu não sou isso. Sou complexa demais e existem infinitos demais pra estudar… porque tanta preocupação com os zeros e uns? Devia deixá-los pra quem vive em binário, eu não. Minha vida tem todas as cores – do #FFFFFF ao #000000, cada uma das minúsculas variações colorem esse universo chamado eu. E que tempo tem pra história e literatura e filosofia, que tempo tem pras pessoas, que tempo tem pra humanidade nesse mundo definido por números? Minha mente é pequena demais pra abrigar tudo isso, grande demais pra se limitar a isso. Quem realmente se importa com o flag zero quando a bandeira de socorro já foi levantada em Mariana? Quem se importa com todas as exceções que um programa precisa levantar quando há um mundo de humanidade dizendo “vem, me ajuda!”? Não há tempo. Não há tempo. Não há tempo. Corre, não dá. Vamos, depressa. Não há tempo. 4 semanas. É o tempo que você tem pra salvar o ano, vamos, corre. Senta essa bunda na cadeira e estuda. Corre. Vamos. Tá esperando o quê? Corre. Não há tempo. Não há tempo. Não há tempo. Não há tempo pro quê? Pra mim. Eu salvo o ano e quem salva a mim? Não é isso que eu quero. Eu preciso de algo muito maior. Os números que me importam são outros. Quanta gente está morrendo – talvez não literalmente – pela falta de tempo? Quantas pessoas estão deixando de sê-las para alimentar uma lógica que só fará outras pessoas se abandonarem? Até quando esse ciclo vai? Não é difícil achar que se tem déficit de atenção quando o mundo pede demais e tem informação demais pra você. Socorro. Quanta gente se envenenando em nome dessa lógica? Quanta gente perdendo o contato consigo mesmo por não quererem que tenhamos tempo pra nós? Não. Isso não é pra mim. Agora dizer “vou ter um tempo pra mim” se tornou um ato de rebeldia? Ótimo, eu sempre adorei a rebeldia. Agora é isso – não sustentar essa lógica não é loucura. Nem preguiça. Não venha me dizer nada disso. Dizer “EU NÃO AGUENTO”, nesse momento, é um ato político. Não quero. Não vou. Não posso. Minha sanidade mental importa mais que a nota naquele maldito boletim que cisma em me avaliar por coisas que não me importam. E me desculpe se não pensa assim. Me desculpe se você ainda acha que devo, eu não me importo – aliás, quantas coisas tanta gente acha que devo, não é mesmo? Não-me-importo. Não é loucura. Não. Eu simplesmente percebi que não é isso que eu quero. Foda-se o ano, eu preciso salvar a mim.

3 Comentários
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3 Comentários em "Não há tempo"

  1. Clara disse:

    Adorei o que você escreveu. É uma forma muito singela de dizer ao mundo que você é muito mais do que aparenta ser. E eu entendo perfeitamente. De verdade, eu tive um desses questionamentos onde queria fugir para não ter que lidar com tudo isso, mas acontece que quanto mais procuramos nos afastar, mas parece que somos puxados para essa situação toda. Confuso né ? Não há problema nenhum em dizer que não aguenta mais, o pior é não falar e só ir piorando no meio tempo, o que não é bom pra sua sanidade, então se você não estiver ok, não esteja o importante é você se sentir livre para demonstrar o que você se sente. Fechar-se talvez não seja a melhor solução.

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  2. Gostei muito do texto e ainda mais das suas fotos! Acabei de conhecer o blog mas já tá salvo nos favoritos, hahahahha <3
    Tá convidada a vir conhecer o meu tb =*
    barbaradepianti.com.br

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  3. Thaís disse:

    Simplesmente sensacional!

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